CHOCIAY, Rogério. "Noções Elementares", "Os Versos e suas Medidas" in Teoria do Verso. São Paulo, McGraw-Hill, 1974. SUMÁRIO PREFÁCIO VII NOTA PRÉVIA IX 1. Metro e ritmoÍNDICE ANALÍTICO 120 2 2. NOÇÕES ELEMENTARES 2.1. Elementarmente, todo verso pode ser considerado como um alinhamento harmônico de sílabas e pausas[(1)]. Nas sílabas e nas pausas estão as potencialidades que, atualizadas, dão a cada verso andamento característico e fazem surgir na estrofe as cadências silábica, acentual e fônica[(2)]. 2.2. O primeiro verso de um poema reside entre duas balizas: o silêncio, que lhe é anterior, e a pausa após sua última sílaba. O verso final do poema é delimitado pela pausa do verso precedente e pelo silêncio que se lhe segue. Excetuados, portanto, este dois, os demais residem entre duas pausas: a do verso imediatamente anterior e a sua própria. São as pausas que, travando o final de um verso permitem o retorno silábico e acentual do esquema através do verso seguinte, segundo diversos graus de simetria estrófica. A duração destas pausas está relacionada diretamente com a maior ou menor extensão do versos, havendo casos em que, pelo processo do encadeamento, ela deixa praticamente de existir, embora outros fatores continuem sustentando a distinção entre o final de um e o início de outro verso[(3)]. 2.3. Além das pausas delimitadoras, de posicionamento "externo", os versos comportam outras, internas, que só se tornam relevantes em dois casos: 1o representam um dado prévio da receita do verso; 2o mesmo não previstas, implicam uma alteração substancial no andamento do verso em que surgem. As que se enquadram no primeiro caso são necessárias e fixas, devendo ocorrer no mesmo ponto em todos os versos da estrofe, dividindo-os em membros distintos; dada sua natureza e concepção, este primeiro tipo pausal, a que melhor cabe o nome de cesura[(4)], interdita sempre a sinalefa[(5)] entre os membros do verso. As que pertencem ao segundo caso, apesar de não previstas necessariamente e de não apresentarem posição fixa de aparecimento, alteram substancialmente, o andamento dos versos sobre que incidem; por isso, muitos versos, idênticos pelo número de sílabas e disposição dos acentos, tornam-se distintos graças ao surgimento de uma ou mais pausas sensíveis. O valor e a importância destas pausas pode ser facilmente comprovado pelo fato de elas permitirem - como também ocorre a certos esquemas de verso com cesura - a contigüidade de sílabas fortes, o que normalmente não se verifica na ausência de pausa entre tais sílabas. 2.4. As sílabas vêm marcadas ou não por um acento de intensidade, cuja importância para a versificação deve ser focalizada segundo dois aspectos: a) força relativa; b) distribuição funcional no verso e na estrofe. 2.5. Quanto aos valores intensivo das sílabas, é preciso de início esclarecer que as usualmente chamadas "tônicas" possuem três valores fundamentais, conforme se trate (em ordem crescente de força) da última sílaba intensa de vocábulo, de locução e de sentença[(6)] No próprio vocábulo, as chamadas "átonas" apresentam pelo menos dois graus intensivos diversos, sendo necessário observar que, em relação à forte, "todas as sílabas conseqüentes são fraquíssimas"[(7)], isto é, possuem o menor valor relativo de intensidade. O mesmo não acontece às antecedentes, que "ocorrem em duas variantes: uma, fraca e a outra, fraquíssima"[(8)]. Convém não esquecer, igualmente, que nos vocábulos compostos os elementos formadores conservam usualmente autonomia fonológica; assim, em porta-retratos, p.e., temos de considerar a sílaba forte em por- e em -tra-. Fato similar ocorre em vocábulos como: melancolicamente, Mariazinha, etc. 2.6. A seqüência de sílabas com intensidade relevante (e aqui incluímos fracas e fortes) espaçadas pelas de intensidade irrelevante (as fraquíssimas, por natureza ou posição) é que traça o contorno intensivo do verso[(9)]. Tal contorno - como, de resto, todos os elementos e expedientes versificatórios - não trai, por princípio, a índole do idioma, mas aproveita e canaliza seus recursos e potencialidades. 2.6.1. Quanto à sucessão das sílabas na cadeia fônica, a Língua Portuguesa apresenta predomínio da alternância binária: as sílabas relevantes se sucedem espaçadas por uma irrelevante, com base na continuidade dos esquemas de alternância / __ ou __ /, esquemas que, por este motivo são denominados binários. Não é demais lembrar que o idioma apresenta predomínio maciço de vocábulos paroxítonos (... / __ = binário); entre os oxítonos, há que destacar o bom número de dissílabos ( / __ = binário). Acresça-se que as sílabas antecedentes à forte (fraquíssimas e fracas) manifestam tendência dominante para a sucessão alternada, de ordem binária, da direita para a esquerda (cfe. Gramática Construtural, v. I, pg. 352), o que é facilmente verificável em séries de palavras como 2 0 0 2 canto cantar 0 2 0 1 0 2 encanto encantar 1 0 20 0 1 0 2 mobilizo mobilizar 01 0 20 1 0 10 2 imobilizo imobilizar em que atribuímos, arbitrariamente, o valor 0 à sílaba fraquíssima, 1 à fraca e 2 à forte. Observe-se que os compostos, cujos elementos formadores mantêm o esquema da disposição de intensidade, não se enquadram, em tese, ao princípio de alternância binária; aí pode surgir o espaço de duas sílabas irrelevantes: contrabuzina, / __ __ / __; porta-retratos, / __ __ / __; e mesmo de três; médico-legal, / __ __ __ / .Mas a própria natureza dos vocábulos ou elementos formadores faz com que o espaço de uma sílaba irrelevante ainda seja substancial: porta-luvas, contrabaixo, / __ / __, lancha-torpedeira, / __ / __ / __. Considerando-se estas e outras minúcias de alternância intensiva que não nos cabe justificar e arrolar, nota-se que nas combinações de vocábulos (em locuções), de locuções (em sentenças) há predomínio do intervalo de uma sílaba irrelevante entre sílabas de intensidade relevante; o espaço de duas irrelevantes ainda apresenta bom índice, mas o de três, que só se torna formalmente possível através dos proparoxítonos, têm incidência bem mais rara. 2.6.2. A alternância quaternária pode ser encontrada em seqüências que envolvam vocábulos proparoxítonos, - píncaros azuis: / __ __ __ / - lindíssimas estrelas: __ / __ __ __ / __ - pálida sonâmbula: / __ __ __ / __ __ - médico-legal: / __ __ __ / - estrépito do mar: __ / __ __ __ / - ficávamos na praia: __ / __ __ __ / __ - lágrima-de-moça: / __ __ __ / __ seqüências que, de resto não se reduzem a dois binários, como querem alguns estudiosos. Estas possibilidades são, aliás, magnificamente exploradas por alguns poetas. O verso decassílabo, p.e., pode comportar duas seqüências quaternárias, como no verso abaixo, de Cesário Verde: "A música dulcíssima do vento" __ / __ __ __ / __ __ __ / __ 2.6.3. As unidades de disposição acentual nos versos, surgidas das alternâncias binária, ternária e quaternária, são às vezes chamadas células métricas ou células rítmicas[(10)]. Designam-se, também, por analogia à versificação greco-latina, como "pés", termo que deve ser entendido com muito cuidado, dada a mudança da noção de quantidade, em que se baseava o sistema versificatório greco-latino, pela intensidade, base do nosso. 2.6.4. A pura distribuição intensiva no alinhamento silábico do verso representa o primeiro dado para a aferição do seu andamento. O segundo dado, mais importante, consiste no maior ou menor grau de força das próprias sílabas relevantes, cuja variação define o contorno intensivo de cada verso. Aqui, as fracas subordinam-se às fortes, cujo número e posição é que tornam distintos versos idênticos pela extensão e esquema genérico de alternância. É o maior grau de força da 2a e 6a, em relação às demais sílabas internas com intensidade relevante (4a e 8a), do verso "As selvas sinuosas da saudade" (Vinícius de Moraes) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 __ / __ __ __ / __ __ __ / __ que lhe torna peculiar o contorno intensivo, distinguindo-o, por exemplo, do verso "O sentimento da candura eterna" (Tobias Barreto) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 __ __ __ / __ __ __ / __ / __ em que o maior grau reside justamente na 4a e 8a, sendo menor o da 2a e 6a sílabas. Ambos os versos, no entanto, inscrevem-se em idêntico fundo de alternância binária de fracas e fortes entre fraquíssimas: 2-4-6-8-10. 2.7. Um verso pode não trazer qualquer surpresa quanto à sucessão de vogais e consoantes no alinhamento -, e quanto a este aspecto nada o diferencia de uma seqüência prosaica similar. Ou, ao contrário, pode apresentar mais ou menos efeitos de reiteração e contraste de fonemas em seu transcurso. Versos como têm ao seu andamento acentual acrescido um andamento fônico, que se realiza com maior ou menor simetria por meio de processos de reiteração (do b, do s, ou de traços comuns) e contraste (do j e do x, homorgânicos contrastando pelo traço da sonoridade; das vogais que principiam alternando-se entre abertas e fechadas - a/u - e depois se encaminham para as três finais fechadas; do p, que apesar do contraste de sonoridade acomoda-se perfeitamente na seqüência reiterativa; note-se a propósito as duas seqüências: bbj/pbj) de fonemas, cujo resultado, quando menos[(11)] implica o surgimento de uma tessitura de sons realmente enriquecedora do verso em que se realizam. 2.8. Inferem-se, conseqüentemente, duas preocupações iniciais a motivar o estudo do verso: a) o andamento intensivo, resultante da disposição e valores de força das sílabas; b) o andamento fônico, surgido dos processos de reiteração e contraste dos elementos da matéria fônica do verso. Pelos exemplos apontados e comentários feitos, vê-se desde logo que ambos podem atingir suma complexidade. 2.9. Vê-se por esta generalização que estamos a deixar de lado dois fatores - entoação e duração - e isto o fazemos não por considerá-los desprezíveis ao estudo do verso e da estrofe, mas pela falta de obras especializadas sobre ambos os fatores no português, em nossa reduzida bibliografia[(12)]. É por demais evidente que todos os fatores supracitados contribuem de modo decisivo, na realização do poema, e isto a ponto de podermos afirmar sem medo que o verso possui um andamento também de ordem entoativa: o fato de o sistema versificatório basear-se na intensidade não implica a desimportância da entoação, já que ambos se imbricam e interpenetram de muitos modos na consecução da cadeia fônica. O próprio enfoque em termos de duração das sílabas e das pausas é necessário, dada a importância que exercem na realização concreta de cada verso: ao compararmos versos absolutamente impausados em seu transcurso a versos internamente seccionados por duas ou mais pausas sensíveis, verificamos que a duração dos primeiros é bem menor que a dos segundos, embora pertençam ambos a esquemas silábicos e intensivos idênticos. Isto estaria a denunciar, em termos de duração, uma espécie de pauta temporal, bastante flexível, dentro da qual muitas possibilidades de realização existem para um mesmo tipo de verso. Os exemplares abaixo, de Antero de Quental, "Os combates eternos da Justiça!" "Respondeu: Cruz, eu sou a Natureza!" " Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!..." elaborados segundo um mesmo número de sílabas e esquema básico 6-10, apresentam contudo diversa configuração, e uma leitura atenta apontará diferenças na duração dos três, resultantes da própria diferença de duração de algumas sílabas e do surgimento de pausas sensíveis. 2.10. Estas são, em suma, as noções fundamentais sobre a teoria do verso tradicional, que nos capítulos posteriores procuraremos desenvolver, dentro das nossas possibilidades e conhecimentos. 3. OS VERSOS E SUAS MEDIDAS 3.1. Existem dois modos distintos de computar as sílabas dos versos e aferir seus esquemas: o primeiro, tomando por base o padrão agudo para finais de versos, não leva em consideração na contagem as sílabas posteriores à última forte de cada verso; o segundo baseia-se no padrão grave, computando sempre uma sílaba além da última forte. O primeiro sistema é conhecido, usualmente; como contagem francesa; o outro, como contagem espanhola, embora ambos não sejam empregados unicamente por esses dois povos de língua romântica: "De um modo ou de outro, o fato é que as línguas românicas se acham divididas no modo de contar as sílabas dos versos, alinhando-se de um lado o provençal, francês e português, de outro o italiano e o espanhol."[(13)] 3.2. Exemplefiquemos: 2-5-7 Que temas modula o vento 2. 41 8 Noções 11 elementare 43 s 3. Os 46 versos e 18 suas 11 medidas 45 4. 15 Processos 11 de 54 acomodação 16 5. 11 Receita e 67 realização 17 do versos 41 6. 79 Andamento 19 dos 42 versos 00 7. 7 Tipologia dos versos 8. A unidade funcional do poema 9. A estrofe e suas denominaçõ es10. As cadências silábica e acentual11 . Dinâmica da estrofe12. O andamento fônico e seus processos1 3. A cadência fônica: rima14. O índice de reiteração fônica na rima15. Posicionam ento das rimasNOTA FINAL1 2 3 4 5 6 2-5-7 Vagando por sobre o mar? 1 2 3 4 5 7 6 1-5-7 Vento é simplesmente 1 2 3 4 5 77 8 vento,(Tasso da Silveira 61 2 3 4 5 6 Os versos da quadra acima possuem a sétima como sua última sílaba forte. A contagem francesa vai até aí, desprezando as sílabas conseqüentes: cada verso é computado em sete sílabas. A contagem espanhola, servindo-se do padrão grave, conta sempre uma sílaba a mais se o final do verso for agudo e despreza uma sílaba se o final for esdrúxulo. Os mesmos versos, assim, com as mesma possibilidades de realização silábica, 1 2 3 4 5 6 7 8 9 __ __ __ __ __ __ / (agudo) __ __ __ __ __ __ / __ (grave) __ __ __ __ __ __ / __ __ (esdrúxulo receberão, conforme o padrão de contagem, diferentes denominações: heptassílabos (contagem francesa), octossílabos (contagem espanhola). 3.3. Até há pouco menos de dois séculos, a contagem dos versos nas literaturas portuguesa e brasileira era feita pelo padrão grave, tendo em seguida surgido a instituição da contagem francesa. Um erro de perspectiva e informação histórica fez com que se atribuísse o estabelecimento deste critério a Antonio Feliciano de Castilho, que em 1851 publicara o seu Tratado de Metrificação Portuguesa, tornando-se comum entre os tratadistas a ele posteriores a expressão "Reforma de Castilho" para caracterizar o autor e a época da implantação do sistema. Nada obstante, Mello Nóbrega, em fundamento ensaio[(14)] provou cabalmente que, apesar da ressonâncias do Tratado e do mérito divulgador de Castilho, o privilégio de tal instituição cabe a Miguel Couto Guerreiro; este, já em 1784 (77 anos antes de Castilho), publicara o Tratado de Versificação Portuguesa, no qual adota a contagem silábica até a última tônica. Mello Nóbrega cita, inclusive, parte da regra IX do manual de Couto Guerreiro" "Contando até o acento dominante (Que basta para o verso ser constante) Dez sílabas o heróico inteiro tem..." o que deixa fora de dúvidas a precedência histórica. O livro de Couto Guerreiro tornou-se bastante conhecido em Portugal e é de causar espécie a omissão que dele faz Castilho em sua obra; este, por esta e outras razões, veio a ser considerado o verdadeiro inovador. Mas a verdade fica: a despeito dos méritos indiscutíveis e do alcance divulgador de sua obra, o terreno estava preparado. 3.4. Outro livrinho bastante divulgado foi o Tratado de Versificação, de Olavo Bilac & Guimarães Passos, que seguiram à risca os ensinamentos de Castilho. À custa da divulgação dessas e de outras obras nelas calcadas, a contagem francesa generalizou-se para as versificações portuguesa e brasileira, tendo sido bem poucos os que tentaram retornar à contagem de padrão grave. Entre estes, podemos citar apenas os que conhecemos: Manuel da Costa Honorato[(15)] e, mais recentemente, Said Ali[(16)]. Este último defende e segue convicto o padrão grave, estribado no fato de ser esta a terminação predominante das palavras e, conseqüentemente, dos versos de língua portuguesa. As lições de Said Ali foram retomadas, ultimamente, pelo prof. Leodegário A. de Azevedo Filho[(17)]. Aliás, pode-se perceber entre os estudiosos de hoje alguma vacilação quanto ao emprego dos dois sistemas, embora esteja mais pesado o lado da balança que pende para a manutenção da contagem francesa. 3.5. Em vez de tomarmos partido por um sistema ou outro, devemos ter em mente que eles não passam disto: são apenas sistemas de contagem, posteriores e não diretamente pertinentes à criação poética. Uma polêmica sobre ambos não chegaria a solução nenhuma, já que se podem compulsar argumentos válidos para a defesa de um ou de outro sistema. Nossa preocupação deve sair desse metricismo exagerado e visar à explicação do desenvolvimento da linha melódica do verso e da estrofe, na qual em certos casos podem-se considerar desprezíveis as sílabas excrescentes à última forte; noutros, porém, tais sílabas se tornam atuantes (por exemplo, nas oposições entre segmentos terminais esdrúxulos e agudos, esdrúxulos e graves, graves e agudos, rimantes ou não; assim também nos versos menores de cinco sílabas, em que as sílabas conseqüentes são muitas vezes imprescindíveis ao andamento; acrescente-se que os efeitos da rima vão além da última forte). Por tudo isso, vemo-nos forçados a ficar numa média distância confortável: mantendo embora a contagem de padrão agudo, por usualíssima que é, não deixaremos de fazer as aproximações necessárias à de padrão grave. Em verdade, certos fatos de nossa versificação - o do verso composto é um deles - só ficam satisfatoriamente entendidos e explicados através desse sistema, que informou a técnica versificatória de alguns de nossos poetas arcádicos e românticos. (1) As sílabas são no verso harmonizadas segundo seus valores intensivos, surgidos do maior grau de força em sua emissão. A pausa é um silêncio entre versos ou membros de verso. (2) Sobre estas cadências v. o estudo da estrofe. (3) Este modo de entender o encadeamento ou enjambement não é pacífico entre os tratadistas, havendo os que consideram absolutamente estável a pausa interversal. V. o estudo do problema, mais adiante. (4) São vários e divergentes os conceitos tradicionais de cesura (latim caedere, = cortar) , que é muitas vezes entendida como acento principal de interior de verso, ou como corte teórico no seu alinhamento. Achamos que o termo tem melhor serventia entendido apenas e sempre como corte pausal necessário e fixo. (5) sobre a sinalefa, v. o estudo dos "Processos de Acomodação", logo adiante. (6) Os termos vocábulo, locução e sentença são aqui utilizados na acepção de Eurico Black & Geraldo Mattos - Gramática Construtural da Língua Portuguesa, 2 vol., Editora F.T.D., São Paulo, 1a ed., 1972. Num dos inúmeros exemplos em que, na citada obra, se torna patente esta diferença de intensidade (p. 298 do vol I), temos a sentença: 'Tenho ''dado a 'muitas ''moças 'lindas re'vistas nacio'''nais. onde (') representa a intensidade de vocábulo, ('') a de locução e (''') a de sentença. Temos aí três locuções (termos de oração_: tenho dado / a muitas moças / lindas revistas nacionais -- as duas primeiras com intensidade ('') em sua última sílaba forte; a terceira, por coincidir com final de sentença, recebe carga intensiva ('''). Observe-se que a intensidade (') nos aponta a sílaba forte de vocábulos pertencentes a locuções: tenho / muitas / lindas, revista. Ainda acompanhando as explicações dos citados mestres, observe-se que se o vocábulo lindas, pertencente à terceira, fizesse parte da segunda locução - e assim teríamos muitas moças lindas - sua sílaba forte receberia carga intensiva (''), já que passaria a ser a última da locução; e, em conseqüência, a sílaba mo- (de moças), deixando de ser final de locução, passaria a ter apenas intensidade (') de vocábulo: 'Tenho ''dado a 'muitas 'moças ''lindas revistas nacio''''nais. (7) Gramática Construtural, vol. I, p. 352. (8) Idem, p. 352. (9) Estamos e estaremos usando os termos relevante e irrelevante, em relação ao valor funcional da intensidade silábica, para escapar da ambigüidade que os termos genéricos - e de duvidosa aplicação - "átona" e "tônica" sempre trazem, quando se trata de descrever o andamento intensivo do verso. Note-se também que empregaremos os termos fraca e fraquíssima exatamente nos sentidos acima apontados. (10) PROENÇA. M. Cavalcanti - Ritmo e Poesia, Simões, Rio, 1955. (11) Evidentemente, não estamos preocupados, no momento, com o enfoque mais importante desses efeitos (ordens de motivação e sugestão), mas tentamos destacar seus resultados primários na mecânica do verso. (12) Gostaríamos muito, aliás, de receber subsídios a respeito, seja sob forma de indicação bibliográfica, ou de remessa de estudos especializados, para aumentarmos nosso campo de visão (13) RAMOS, Péricles Eugênio da Silva - Sistemas de Contagem dos Versos, in "O Verso Romântico e Outros Ensaios", Conselho Estadual de Cultura, São Paulo, 1959, p. 35. (14) NOBREGA, Mello - Couto Guerreiro e a "Reforma de Castilho", in "Arredores da Poesia", Conselho Estadual de Cultura, São Paulo, 1970, pp. 120-127. (15) HONORATO, Manuel da Costa - Synopses de Eloquencia e Poetica Nacional, Rio, 1870. (16) ALI, Said - Versificação Portuguesa, I.N.L., Rio, 1948. (17) AZEVEDO FILHO, Leodegário Amarante de - Estruturalismo e Crítica de Poesia, Ed. Gernasa, Rio, 1970.