Soares Feitosa Av. Antônio Justa, 3.440 /501 CEP: 60165-090 - Fortaleza, CE Fone 085.242.27.60 - Email Novidades da semana Você quer participar? Veja como é fácil . ABGAR RENAULT Material por remetido por Anibal Beça Primeira parte - nesta opágina - Biobibliografia - Prefácio de Desculpas - ALEGORIA - BRANCA NOITE DE LUAR - SUB SPECIE AETERNITATIS - ENCANTAMENTO Segunda parte - clique aqui - SONETO DO IMPOSSÍVEL - HUMILDADE - A INTANGÍVEL BELEZA - A que amostraes nos olhos & no rosto - Co a estulticia do Amor desavisado - Em vam apuro a minha fortitude - Essa vossa serena fermosura - Gran segurança eu hei de que a alegria - Na rua feia - FELICIDADE Terceira parte - clique aqui - POEMETO MATINAL - BALADA DA IRREMEDIÁVEL TRISTEZA - BALADA QUASE METAFÍSICA - DESINTEGRAÇÃO - POEMETO RURAL - NOITE - FIM - COMO QUEM PEDE UMA ESMOLA Biobibliografia ABGAR de Castro Araújo RENAULT - Nascido em 15 de abril de 1901, em Barbacena, Minas Gerais, é filho do Dr. Leon Renault e de Dona Maria José de Castro Renault; casado com Ignez Caldeira Brant Renault, tem dois filhos, Caio Márcio e Luiz Roberto, e três netos, Caio Mario, Abgar e Flávio. Realizou os estudos primários, secundários e superiores em Belo Horizonte, havendo sido orador da turma na cerimônia de colação de grau; foi profesor do Ginásio Mineiro, oficial, da Universidade Federal de Minas Gerais, do Colégio Pedro II, mantido pelo Governo Federal, e da Universidade do Distrito Federal; Deputado no Estado de Minas Gerais, Diretor da Secretaria do Interior e Justiça do mesmo Estado, Secretário do Ministro da Educação e Saúde Pública Francisco Campos e seu Assistente na Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal, Diretor do Colégio Universitário da Universidade do Brasil, o qual organizou e pôs em funcionamento; Diretor do Departamento Nacional da Educação, Secretário de Educação do Estado de Minas Gerais em dois governos, Ministro da Educação e Cultura, Diretor do Centro Regional de Pesquisas Educacionais João Pinheiro em Belo Horizonte; Ministro do Tribunal de Contas da União; membro do Conselho Federal de Educação e do Conselho Federal de Cultura, representante do Brasil na Conferência Internacional que fundou a UNESCO, em Londres, no ano de 1945, membro da Comissão Internacional do Gurriculum Secundário, da UNESCO (1956 a 1959); Consultor da UNESCO na Conferência sobre Necessidades Educacionais da África, em Adis Abeba (1961); membro da Comissão Internacional sobre Educação de Adultos, da UNESCO (1968 a 1972); representante do Brasil em numerosas conferências internacionais sobre educação levadas a efeito pela UNESCO em Paris, Santiago do Chile e Teerã; eleito várias vezes membro da Comissão de Redação Final dos documentos dessas reuniões; membro da Comissão Consultiva Internacional do "The World Book Enciclopaedia Dictionary (Thorndike-Barnhart Copyright, 1963, Doubleday & Company, USA); Profesor Emérito da Universidade Feeral de Minas Gerais. Agraciado com as seguintes condecorações: Ordem Nacional do Mérito Educativo, Grande Oficial da Ordem de Rio Branco, Grande Oficial da Ordem do Mérito Judiciário do Trbalho, Medalha do Mérito Educacional do Estado de Minas Gerais, Medalha de Honra ao Mérito da Sociedade Educacional Nuno Lisboa. É mebro da Academia Mineira de Letras, da Academi Brasileira, da Academia Brasiliense, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Stanford, Califórnia, da Academia Brasileira de Educação, da Academia Brasileira de Filologia e do Conselho Curador da Fundação Getúlio Vargas. OBRAS: " A Palavra e a Ação"( estudos e reflexões sobre o ensino primário no Estado de Minas Gerais - 1952), "A Crise do Ensino Secundário: Aspectos da Crise Geral do Brasil (Separata de "Kriterion", revista da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (1954), : Missões da Universidade (idem, idem - 1955), "The Termination-ing", Tese de Concurso (1958), "História, Estrutura e Psicologia da Língua Inglesa (in Enciclopédia Delta - 1961), "Conceituação deDiretor Qualificado"(separata de DOCUMENTA, revista do Conselho Federal de Educação), "Universidade, Cultura e Desenvolvimento"(Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos), "A Lápide sob a Lua"( Im prensa da Universidade Federal de Minas Gerais, edição fora do comércio - 1968), "Sonetos Antigos"(idem, idem, idem), "Sofotulafai"(idem, idem, idem - 1971), "A Outra Face da Lua" (Editora José Olympio - 1983), TRADUÇÕES: "Poemas Ingleses de Guerra"( Oficinas Gráficas do Jornal do Commercio, edição fora do mercado - 1942), , idem (Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, 2a. edição - 1970) "A Lua Crescente"de Rabindranath Tagore (Editora José Olympio - 1942), "Colheita de Frutos"(idem, idem, idem - 1945), "Pássaros Perdidos"(idem, idem, idem - 1947), "O Boi e o Jumento do Presépio"de Jules Supervielle (em suplemento à revista "Criança e Escola", Belo Horizonte, 1965). Estão inéditas numerosas traduções de poetas ingleses, norte-americanos, franceses, espanhóis e alemães, bem como um estudo sobre Tagore e uma série de reflexões e anotações intituladas "À Margem do Tempo". Estão igualmente inéditos os seguintes estudos: "A Crise Brasileira e a Responsabilidade dos Educadores, Educação para o Desenvolvimento?, "Significação Pedagógica e Importância Cultural da Língua Moderna", "De Vário Tempo"(discursos, conferências e estudos literários). Como Ministro da Educação e Cultura, em curta administração, Abgr Renault criou: no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, O Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais e mais cinco Centro Regionais; como Secretário de Educação em Minas Gerais, criou: o Serviço de Orientação e Seleção Profissional (SOSP); a Campanha de Reparos e Restauração de Prédios Escolares (CARRPE); o serviço de Ensino Primário em Zonas Rurais,entregue a Helena Antipoff; os cursos de férias na capital do Estado, para os professores dos ginásios e das escolas normais oficiais; e promoveu o convênio de que resultou o Programa de Asistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar (PABAEE). ANTOLOGIA POÉTICA "Prefácio de Desculpas" Perdoai-me a soberba de haver-me sonhado vosso irmão, sem ver nem ouvir estéril vácuo nas minhas palavras, que não soube nunca encher meu grave coração. Perdoai os versos incomunicáveis do chão de lavas e de pedras em que vivo. Perdoai o vinho, o sal, o pão sem fé que meu corpo e minha alma receberam gratuitamente. Perdoai perdidamente a voz esquiva e outrora, que entre os esbeltos cantos de profundas vozes se compôs de tristeza essencial e de vaga alegria malcontente, se ergueu, e se apagou de pobreza e de fadiga. Perdoai-me se me esqueci a mim sentado entre vós, como um de vós, e não reconheci meu destino tão comum, e procurei dar-lhe forma impossível, sem o hálito de fogo que [anima a elementar argila. Perdoai, em mim, a quem se viu um dia sem destino nenhum. Vós, poetas, não sabeis o amargo de ser ou não ser poeta quando o mundo em dor se alarga e em água se reduz e cintila, quando o amor em nossa carne viva morde a sua garra ou seta, ou quando, na hora mais morta da noite, entre mar e mar, a vida só existe no olhar intenso da treva a escrutar dentro da insônia grávida o que fizemos da nossa vida. Não podeis saber como arrasa saber o que é poesia, ouvi-la e vê-la onde está, sentir que nasce de um sem-querer, às vezes de fortuito encontro de domésticas palavras em coito inesperado, que gera sentidos novos e novos sons, e não poder captá-la, nem à noite, nem à tarde, nem ao aberto dia, nem acordado nem desacordado nas surdas tumbas do sono... percebê-la, evasiva e arisca, esgueirando-se entre todos [os vocábulos bons ou maus, feios ou belos, da língua mais ilustre ou mais plebéia... Tê-la doendo agudamente no sangue e vê-la, quando irrompe visível - idéia sem forma ou forma sem idéia -, reduzida a esta rala poesia, a esta nenhuma poesia sem surpresa e sem mistério, a este coração nu, direto, elementar, irreversível... (oh, o íntimo cansaço da poesia equilibrada, consciente, silogística, que nasce, cresce e se conclui como um teorema ou uma fórmula estatística...) Sobre tudo ignorais, ignorareis (sois poeta!) a suada impotência de não ser vossa aquela mão, esse ouvido, certo sortilégio, a ciência, a antena, o acaso, o não-sei-que divino, humano, aéreo, que condensa e repete o poder de todas as filogênese e faz nascer numa folha de papel, entre vertiginosos traços, a rosa, Júlio César, um sapo, a Virgem Mãe, uma estrela em pedaços, um carbúnculo, esta salamandra, e a esfinge - a esfinge que ontem, na estrada de Tebas, fitou em mim os seus olhos e me dissolveu. Não sabeis, não sabereis jamais, como eu, quanto mata sentir que a poesia nascida da punhalada mais aguda é triste concha vã, sem nenhum eco de mar, e que para ela não existe amanhã. Do livro: A PRINCESA E O PEGUREIRO ALEGORIA Em vão busco acender um diálogo contigo: a alma sem tom da tua boca de água e vento despede cinza, névoa e tempo no que digo, devolve ao chão o meu mais longo pensamento, e entre cactos estira esse deserto ambíguo que vem da tua altura ao vale onde me ausento, procurando o teu verbo. O silêncio, investigo-o, e ouço o naufrágio, o vácuo e o deperecimento. Sonho: desces a mim de um céu de algas e rosas, falas às minhas mãos vozes vertiginosas, e palavras de flor no teu cabelo enastro. Desperto: pairas ainda em silêncio e infinita: meu ser horizontal chora treva e medita tua distância, teu fulgor, teu ritmo de astro. BRANCA NOITE DE LUAR Mal o dia se esgueira e foge entre as árvores do crepúsculo, insinuam-se os seus finais entre as dúvidas do nascer da noite. Pára o rio e sua viagem. Cessam as águas a sua voz. Cantos de pássaros interrompem-se e tombam nos ouvidos da solidão. Póstumos bois adormecem no relvado as suas sombras, e um gesto final do ocaso conduz a ovelha derradeira. Entre os rebanhos recolhidos recolheu-se a tarde e, enquanto as distâncias se estiram brancamente, lúcido vinho vai a terra embebedando: o chão é claro sonho e firmamento. Verte o céu a sua azul antiguidade sobre as formas, as ausências e os corações dos homens, e a lua vai abrindo em leve solo nas alturas imaginativas ruas de silêncio, de outrora, de alva tristeza e amoroso pensamento. SUB SPECIE AETERNITATIS Vi-te, e vi a expressõ essencial da forma, da graça e da luz. Vi-te, e vi a trémula fragilidade do efêmero vestida das roupagens do eterno. Vi-te, e sobre mim baixou, vindo do teu céu, uma fulguração de raio, que feriu de vertigem o meu destino de distâncias e negações e deixou meus olhos sem pálpebras para outro sol que não seja o teu esplendor. Vi-te, e abri meu ser emudecido para elevar à tua altura este canto de exaltação. Mas a minha voz morreu em silenciosas névoas e o meu coração, arquejante, parou de pulsar, porque te vi e, vendo-te, vi em ti o sem-limite das cousas que só habitam os sonhos sonhados depois do tempo e além da vida. ENCANTAMENTO Ante o deslumbramento do teu vulto sou ferido de atônita surpresa e vejo que uma auréola de beleza dissolve em lua a treva em que me oculto. Estás em cada reza do meu culto, sonhas na minha lânguida tristeza, e, disperso por toda a natureza, paira o deslumbramento do teu vulto. É tua vida a minha própria vida, e trago em mim tua alma adormecida... Mas, num mistério surdo que me assombra, Tu és, às minhas mãos, fluida, fugace, como um sonho que nunca se sonhasse ou como a sombra vã de uma outra sombra... Segunda parte Página principal do JP Programação visual, 31.01.1999: SF